O futuro dos pagamentos autônomos

A rápida evolução da digitalização, com cada vez mais pessoas utilizando seus próprios dispositivos para efetuar transações ou realizar compras on-line, está transformando o ecossistema de pagamentos.

E não é por acaso: pesquisas indicam que saltamos de pouco mais de 200 milhões de dispositivos conectados à Internet em 2000 para cerca de 38,5 bilhões no último ano. A diferença, porém, é que agora nem toda conexão tem uma pessoa no comando. Estamos falando de uma vasta game de objetos que estão conectados, de torradeiras a relógios, lâmpadas e termostatos, além de meios de transporte como carros e trens.

Além da conexão, outra mudança significativa é, assim, a adoção da Inteligência Artificial (IA) e outros recursos que permitiram uma maior disponibilidade do poder de computação, juntamente com algoritmos de código aberto de última geração. Como resultado, temos visto o surgimento de uma nova era, com equipamentos desenvolvidos de forma a poder tomar decisões independentes, ou autônomas, em nome de pessoas físicas ou jurídicas. Esses elementos, combinados às demandas impostas por eventos como a pandemia de COVID-19, estão acelerando uma verdadeira revolução dos modelos de pagamentos.

É possível afirmar que estamos prestes a presenciar um mundo no qual dispositivos efetuarão pagamentos autonomamente para organizações, pessoas e, até mesmo, outros dispositivos. A onipresença dos pagamentos eletrônicos somados a mais aparelhos com acesso à Internet e capazes de executar algoritmos de IA, não deixa dúvidas sobre o caminho o qual estamos trilhando. Neste momento, porém, os líderes das organizações devem se perguntar como essa transformação afeta os produtos e serviços que suas marcas oferecem, e o que fazer para manter o seu modelo de negócio relevante em um futuro que promete constante metamorfose.

Os pagamentos na era do IoT (sigla em inglês para Internet of Things - ou Internet das Coisas, em português) estão no centro dessa discussão. Até 2023, espera-se que esse segmento de mercado valha US$ 27,6 bilhões, uma realidade que impactará todos os setores e modificará radicalmente o cenário de pagamentos atual. Alguns segmentos que se beneficiarão desse desenvolvimento incluem Varejo, Automóveis, Cidades Inteligentes e Habitação Inteligente.

Até 2023, espera-se que esse segmento de mercado valha US$ 27,6 bilhões, uma realidade que impactará todos os setores e modificará radicalmente o cenário de pagamentos atual.

Existem diversos atrativos neste modelo, contudo, o principal para os pagamentos seria a possibilidade de realizar transações exigindo pouca ou nenhuma interação humana, dado que as transferências são acionadas por dispositivos IoT com um certo grau de autonomia. Um exemplo simples: um smartphone que usa o conhecimento da geolocalização de seu usuário para acionar um pagamento automaticamente (com interação limitada ou nenhuma interação humana).

Neste cenário, por exemplo, é preciso destacar que ainda estamos no caminho para o 5G, um modelo que certamente ajudará a acelerar esse cenário autônomo para os meios de pagamento, ao permitir a expansão no número de dispositivos IoT e a otimização do fluxo de informações nas redes. O aumento da largura de banda permitirá que muito mais dados sejam coletados de uma gama muito mais ampla de fontes, que podem alimentar os algoritmos de IA que aumentarão o nível de autonomia dos pagamentos de IoT.

Quanto maior a gama de dados e a capacidade de processamento e inteligência, maior será o entendimento do comportamento do consumidor, aumentando níveis de previsibilidade, podendo chegar até a alta acuracidade de modelos preditivos.

A Geração Z, caracterizada como a primeira geração “digitalmente nativa”, deve aumentar seus gastos per capita em mais de 70% nos próximos cinco anos.

Tudo isso não é uma questão para ser deixada para o futuro. A indústria de pagamentos já é altamente automatizada e digitalizada, e as tecnologias para apoiar a mudança estão bem estabelecidas. No entanto, hoje, esses pagamentos ainda são predominantemente acionados por humanos. Assim, consumidores e comerciantes esperam que suas próximas experiências sejam cada vez mais simples, ou mesmo invisíveis. A Geração Z, caracterizada como a primeira geração “digitalmente nativa”, deve aumentar seus gastos per capita em mais de 70% nos próximos cinco anos. E isso implica que, em breve, haverá uma demanda significativa por parte dos clientes para a jornada digital.

Isso certamente auxiliará os comerciantes, que estão procurando maneiras de aumentar as taxas de conversão em suas lojas, sejam elas físicas, on-line ou omnichannel. Por outro lado, temos de nos lembrar de que, ainda que muitas pessoas sejam favoráveis a este modelo sem atrito, outras podem se sentir desencorajadas a experimentar as novas tecnologias autônomas.

Dessa forma, é necessário considerar a transparência, segurança e a privacidade dos usuários. Os clientes não apenas precisam confiar no dispositivo para fazer um pagamento autônomo em seu nome, mas também devem confiar que o dispositivo está protegido contra ameaças maliciosas. Fraudes não são uma novidade para o ecossistema de pagamentos, e as transações por IoT, em particular, nas quais pode não haver a interação humano como nos demais pagamentos, podem ser o alvo mais almejado entre os cibercriminosos.

Garantir a segurança em um ambiente de Internet aberto é especialmente desafiador, portanto, contar com um parceiro estratégico que fortaleça a segurança dos dispositivos e do ambiente digital, permitindo, além disso, a observabilidade completa e o controle de ações por parte do consumidor, será certamente valioso diferencial competitivo.

Sobre o Autor

Jeane Simon é diretora de marketing da Worldline para a região da América Latina. Ela traz mais de 20 anos de experiência em funções de Desenvolvimento de Negócios e Marketing em tecnologia, serviços financeiros e empresas de varejo em vários estágios, desde start-ups ágeis até gigantes globais como a MasterCard. Jeane liderou diversos projetos em empresas como Itaú, Santander, Cielo e HSBC, e tem um olhar de Marketing atualizado. Tendo a experiência do cliente no centro, lidera equipes multifuncionais que usam inteligência de mercado, estratégias digitais e todo o potencial do insight de dados para entregar resultados em negócios complexos em vários países.

Jeane é apaixonada por pessoas e psicologia e acredita em Marketing e Tecnologia como ferramentas poderosas para impactar positivamente a vida.

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