Desafios da Comunicação Global

Aprendizados de uma pandemia

Por mais clichê que possa parecer, ter empatia pelo seu interlocutor é sim essencial para estabelecer uma comunicação assertiva e eficaz.

Já é complexo o processo ao falarmos com nativos da nossa própria língua. E como avançar então em uma comunicação com times espalhados por mais de 30 países em cinco continentes? E acrescente aí uma pandemia que nos fez ficarmos fisicamente isolados de todos.

Se por um lado o processo de comunicação de equipes espalhadas pelo mundo já conta com a variável do processo remoto (e naturalmente já demanda uma estratégia de comunicação específica), ter uma dissociação local dos times torna o desafio de proporcionar uma comunicação engajadora ainda maior.

Para muitos, uma tradução by the book resolve. Mas não basta fazer aquela tradução impecável se não a adaptarmos para a realidade cultural em que cada um ali se encontra (lembra da empatia?!).

O processo de comunicação

A palavra comunicação vem do latim (communicare), que significa “tornar comum”. Ou seja, compartilhar. Quando falamos de comunicação, falamos de um sistema complexo de ações que precisam acontecer de forma sincronizada para que o percurso emissor > receptor tenha o menor ruído possível. Você pode até pensar: mas com tanta tecnologia disponível, é impossível existir dificuldade para “fazer comunicação”. E justamente por termos tanta disponibilidade que a complexidade é ainda maior.

A informação dissemina muito mais rápido do que conseguimos planejar e, por isso, ter uma estratégia de comunicação integrada – e ágil – e uma liderança que seja “embaixadora” da comunicação é essencial para manter milhares de funcionários engajados no negócio.

O verdadeiro papel da Comunicação

A liderança provou-se ser o canal mais eficaz e confiável de comunicação. As pesquisas de clima mostram que o(a) gestor(a) direto(a) é a principal fonte de informação para os times: é em quem confiam para receber as atualizações da empresa e também quem buscam para questionar.

Claro, sempre há exceções à regra, mas o fato de contar com líderes que puxam seus times e compartilham as informações que recebem estabelece laços de confiança, proporciona uma comunicação aberta e de mão-dupla e evita a disseminação de informações fora de contexto.

Um ponto crucial que devemos ter em mente é o verdadeiro papel da área de Comunicação. Muito além de ajudar a operar essa engrenagem (pois todos os colaboradores fazem parte dessa operação), a Comunicação traz a inteligência para que o processo aconteça de forma efetiva, ágil e agregadora.

A Comunicação Interna ocupa seu lugar de relevância quando consegue tangibilizar para os times a estratégia do negócio no seu dia a dia e proporcionar uma comunicação balanceada, pelo meio da qual as equipes consigam receber resultados e objetivos do negócio, acompanhar as conquistas dos colegas, participar de competições internas (que elevam o engajamento, mesmo que remoto, dos times) e se conectar com as pessoas que vão ajudá-los nos seus desafios.

Como colocar esses aprendizados em prática?

Em uma organização global, ainda precisamos levar em conta o fator cultural e entender que, em determinados contextos, a escolha equivocada de uma palavra – ou imagem –  é o suficiente para gerar o ruído que não queremos que aconteça no processo.

Muitos olham para mim e falam: mas como medir algo tão intangível? Fácil! Tenha metas. Tenha um plano. Conheça seus vários públicos internos e saiba quem são seus patrocinadores. Tenha uma “persona” para dar o tom de voz da organização. Proporcione uma leitura e uma escuta amigáveis.

E como colocar toda essa engrenagem para rodar? Usando a tecnologia que falamos mais em cima a seu favor: chats semanais de equipe e individuais, cafés da manhã virtuais, Town Halls com a liderança, grupos de mensagem, comunidades virtuais – e até mesmo compartilhando conteúdos interessantes recebidos por e-mail.

Mais do que o “escrito”, se preocupe em “como” contar a história. Crie conexões com quem está ouvindo. Já foi-se o tempo em que a comunicação interna deveria ser tão dura e formal. (Lembra da empatia, de novo?).

Lance mão de dinâmicas mais ágeis para acompanhar a evolução dos mercados e dos seus times. O plano de comunicação é um elemento vivo. Ele é uma diretriz, mas não pode ser engessado. E lembre-se de que tudo comunica: a fala, o olhar, a imagem, os gestos.

A Comunicação é uma grande facilitadora de todo esse processo que acontece na nossa mente. Muito além de informar, diria que a Comunicação precisa inspirar. Acredite no propósito da área de Comunicação, pois transmitir confiança no que fazemos é a melhor forma de agregar valor e “abraçar” os ativos mais valiosos de uma organização – as pessoas.

Por Carina Andion Angulo – Gerente Global de Comunicação Interna para a área de Bancos & Adquirentes da Ingenico Group